Mais uma de Saci
Mariza Taguada
Causo de saci? Tem muito! Quem já viveu a noite escura dos sertões, das roças ou de bairros distantes, onde se acompanha o movimento do céu,das estrelas, da lua,com certeza, conhece algum.
Esse causo relata a história de um jovem casal que,no início dos anos oitenta, veio do sul procurando um lugar paradisíaco para morar.Encontraram uma casa que ficava numa linda estradinha perto da praia de Itamambuca em Ubatuba. Ali, existiam várias casas, porém a luz não havia chegado a todas e o caminho não era iluminado.
Os dois estavam curtindo as novidades do lugar .Ela, nascida e criada urbana, sabia de arranha-céus e escadas-rolantes, mas de mato? verde?bichos?plantas? muito pouco,quase nada! Ele também era de cidade,mas tinha mais conhecimento e destreza para conviver com a natureza.
O momento mais difícil era quando a noite caía. Sentiam falta do burburinho da cidade,sentiam vontade de ir para um barzinho, para o cinema, ver gente,divertir-se um pouco.Foi por isso que os dois saíram naquela noite de lua nova e foram visitar os vizinhos.
Entre as duas casas havia um bom pedaço da estrada de terra batida, sem casas,sem luz, que atravessava, de um lado, um bananal e, do outro, a mata fechada. Na ida, tudo bem,não era de todo noite, mas na volta... a cada passo ficava mais e mais escuro.Não enxergavam um palmo diante do nariz! Um breu!
Iam os dois de mãos dadas,agarradinhos, meio voando, com os pés mal tocando o chão, ludibriando os buracos na terra batida quando ouviram passos se aproximando e uma brasinha se movimentando no ar.Parecia alguém caminhando, com o braço para baixo e um cigarro entre os dedos...parecia...
Ele apertou o passo ,e com força, a mão dela.Ela perguntou baixinho:
-Você está vendo?
- Psiu –ele respondeu.
À medida que avançavam a brasinha iam chegando mais perto.Até o barulho da mata parou, só dava para ouvir os passos pisados nas folhas secas e as batidas dos dois corações.
Afinal cruzaram-se.Ele cumprimentou:
–Boas noites.
Alguém respondeu.Ela olhou pra trás e não viu nada.
Ele disse:-Não olha pra trás e corre!
E os dois? “Pernas pra que te quero!”.Correram como nunca os poucos metros que faltavam para ficarem a salvo dentro de casa!
Ele nunca quis comentar o acontecido. Ela,anos mais tarde, lembrando da história matou a charada:
-Só pode ter sido um saci!
terça-feira, 18 de agosto de 2009
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